Cia Treme Terra

 

Nascido no Morro do Querosene e atualmente atuante no bairro Rio Pequeno, há 10 anos, a Cia Treme Terra vem desenvolvendo um trabalho na periferia da zona oeste de São Paulo, contribuindo para a descentralização da produção da música e dança contemporânea. Durante todo este período, a Cia vem fomentando atividades de formação nas linguagens de dança e música, buscando promover a transdisciplinaridade e constituir um espaço de discussão, troca e pesquisa acerca da Cultura Negra em diálogo com a comunidade do entorno.

 

Em 2009, a Cia cria sua primeira obra chamada Cultura de Resistência, espetáculo que aponta o início da pesquisa em Arte Negra Contemporânea, qual centrave-se na promoção do diálogo da linguagem da música com a dança. O trabalho contou com a direção geral, artistica e musical de João Nascimento e direção coreográfica de Kelliy Anjos. Cultura de Resistência é uma obra que aborda o processo da diáspora negra e sua contribuição para a formação da Cultura Negra no Brasil, auxiliando na discução acerca do conceito de “Quilombo Urbano”, como espaço simbólico de resistência cultural que se aloja na cidade e mantém valores herdados pela a Cultura Negra diante de um contexto atual e urbano. Esse projeto também resultou na criação de um álbum musical com as trilhas criadas para o espetáculo e um vídeo-documental com performances de dança em espaço público e depoimentos de importantes artistas que contribuíram para processo de montagem desta obra.

 

Cultura de Resistência estreou na Galeria Olido, palco da Sala Olido, e circulou por importantes palcos da cidade de São Paulo, tais como SESC Vila Mariana, SESC Ipiranga, SESC Santo André, Centro Cultural São Paulo, Centro Cultural da Juventude, Museu Afro Brasil, Universidade Anhembi Morumbi, Museu da Imagem e do Som, Espaço Cachoeira, Secretaria Municipal de Osasco e Espaço do Movimento Negro da Universidade de São Paulo. A Cia também foi convidada para integrar a programação de alguns festivais, tais como Festival Planeta no Parque (2011-2012), Festival Black na Cena (2011), Festa de Bumba-meu-boi no Morro do Querosene e São Paulo Fashion Week (2009).

 

Em 2010, ao lado do diretor João Nascimento, a Cia convida o coreógrafo Firmino Pitanga para dar início ao novo projeto de pesquisa intitulado Terreiro Urbano, estreado em 2012, no Grande Auditório do MASP. Utilizando-se do vocabulário da Dança Negra, a Cia desenvolveu uma pesquisa sobre as danças dos orixás em contexto urbano. Baseado na representação simbólica de um xirê (cerimônia tradicional de saudação e exaltação a todos os orixás, sequência de danças do candomblé, que começa com Exu e finaliza com Oxalá), a Cia resignifica esta manifestação, trazendo-a para o contexto urbano. O espetáculo contou com a apresentacão nos seguintes espaços: Auditório do Ibirapuera, Sala Paissandú, Fábrica de Cultura Jardim São Luiz, SESC Pompéia, SESC Bom Retiro, SESC Taubaté, SESC Jundiai, Teatro da UMES, Diversos CEUs, entre outros. No ano de 2013, a Cia foi convidada para representar o Brasil com o espetáculo Terreiro Urbano no programa de circulacão da Europa Kinder Kultur Karawane, contando com cerca de 20 apresentações na Alemanha e Bulgária e cerca de 15 workshops de Dança Negra e Música Afro-brasileira.